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«Os encantadores verdes anos do jazz de Estela Alexandre», Rui Miguel Abreu, Expresso
Estela Alexandre descobriu o universo da composição durante a sua licenciatura em piano jazz, altura em que começou a compor para orquestra (formação convencional de jazz) temas originais e arranjos. Surgia assim o projeto ambicioso de criar uma orquestra, reunindo vários músicos de diferentes gerações e de todo o país, com a qual viria a terminar a gravação do seu primeiro disco em setembro de 2024, editado em maio de 2025. Um trabalho que se assume como documental juntando à gravação realizada com a orquestra em 2024 outros registos realizados desde o ano de 2020.
Cada membro da Estela Alexandre Orquestra foi escolhido não só pela sua excelência técnica, mas também pela sua personalidade, com o objetivo de elevar a criação musical e dando importância à ligação entre os músicos, entendida como fundamental para gerar um resultado autêntico e emocionalmente forte.
Propõe-se ao ouvinte uma experiência sonora cinematográfica, concebida para criar uma relação com o público, convidando a uma viagem emocional e imersiva através da música, como se de uma banda sonora se tratasse. A música da artista reflete também as suas diferentes influências, celebrando a música portuguesa e assumindo outras bandas sonoras como inspiração. Também a Natureza serve de musa para esta música, dando origem ao nome do disco.
Durante o confinamento de 2020 na sua Terra Natal, em Cortes – Leiria, deparou-se com uma nova valorização e perceção da natureza como mecanismo de inspiração para a criação. Este contexto de introspeção e observação influenciou profundamente o álbum, que acabaria por receber o título de «Cantomilo», numa homenagem ao local onde a expressão criativa floresceu. Essa redescoberta de si própria e da imensidão da natureza em contraste com as novas e inquietantes vivências pessoais, académicas e profissionais na capital, fazem com que vários temas do disco retratem musicalmente alguns locais, património e paisagens que se escondem pelo distrito de Leiria, revelando a sua beleza, o seu esplendor e invocando a paz dos mesmos.
Madeiras:
Bernardo Tinoco | Tomás Marques | Tomás Boto | Álvaro Pinto | Paulo Bernardino
Trompetes:
Luís Cunha | Hugo Silva | Francisco Sá | João Pedro Dias
Trombones:
Daniel Dias | Hugo Caldeira | Andreia Santos | Nuno Henriques
Secção Rítmica:
Bernardo Moreira | Diogo Alexandre | Iuri Oliveira | Miguel Meirinhos | André Santos | Duarte Ventura
Voz:
Sara Afonso
Solista convidado:
Bernardo Couto
Som:
Suse Ribeiro
Biografia
Natural de Leiria, Estela Alexandre começou a tocar piano de forma autodidata, tendo ingressado mais tarde no Orfeão de Leiria, onde fez o conservatório até ao quinto grau ao mesmo tempo que frequentava a filarmónica de Chãs. Aos 15 anos prosseguiu os seus estudos no Conservatório de Música de Coimbra, onde concluiu o curso profissional de jazz, a que se seguiu a licenciatura em piano jazz na Escola Superior de Música de Lisboa, onde começa a explorar a escrita para orquestra de jazz. Participou em diversos projetos nas vertentes de executante e de arranjadora/compositora.
Para além do seu trabalho a solo, integra o Cinematic Pocket Orchestra que musicou o filme «The Kid», de Charlie Chaplin. Enquanto intérprete, trabalhou com a Brigada Victor Jara, Jorge Costa Pinto ou Luís Represas, entre outros.
Enquanto compositora, tem trabalhado com nomes sonantes do jazz em Portugal como Bernardo Moreira, João Moreira, João Mortágua, Diogo Alexandre, Bernardo Tinoco, Duarte Ventura ou Bernardo Couto.
Colaborou também com algumas orquestras: Orquestra de Jazz de Matosinhos, Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, Orquestra de Jazz de Espinho, Off Limits Orchestra, Orquestra de Jazz de Leiria (no contexto do Concurso Internacional de Composição Musical de Leiria), com Cristina Branco ou em projetos de Bernardo Moreira (Cantigas de Maio) e André Santos (Mano a Mano).
Recentemente tornou-se compositora e arranjadora membro da Basel Jazz Orchestra (Suíça).
Em 2023 e 2025 venceu o Concurso Internacional de Composição Musical de Leiria.
Em 2024 foi finalista da 5ª edição do JazzComp Graz 2024 (Triennial Competition for Modern Jazz Composition – Áustria).
Foi pedagoga no Conservatório Nacional no Curso Profissional de Jazz e, atualmente, leciona na School of Rock (Lisboa).