Contrabaixista Bernardo Moreira volta à música de Carlos Paredes em novo álbum – LUSA

O contrabaixista Bernardo Moreira edita em maio um álbum que convoca a música popular portuguesa e o jazz, partindo do repertório do guitarrista Carlos Paredes e da paisagem musical de Coimbra.

Quase 20 anos depois de ter lançado “Ao Paredes confesso” (2002), Bernardo Moreira prepara-se para editar, em sexteto, o álbum “Entre Paredes”, que descreveu à agência Lusa como uma segunda parte, uma conclusão, sobre a forma como tem sido ouvinte da obra do guitarrista Carlos Paredes.

Depois daquele disco “tive umas incursões pela música popular, pelo fado de Coimbra, e comecei a sentir que a minha maneira de ouvir o Carlos Paredes tinha mudado”, disse Bernardo Moreira, 55 anos, nascido numa família com longa ligação ao jazz e que toca atualmente com a cantora Cristina Branco.

“A minha vontade era de escolher músicos todos eles com experiências também na música popular portuguesa e o nosso esforço era ir ao encontro do Carlos Paredes em vez de obrigar o Carlos Paredes a vir ter, na altura, com um sexteto de jazz. Acho que este disco é muito diferente do outro, porque tem esse caminho inverso em que somos nós que vamos para esse território”.

Para este novo álbum, Bernardo Moreira contou com os músicos João Moreira (trompete), Tomás Marques (saxofone), Ricardo J. Dias (piano), Mário Delgado (guitarra) e Joel Silva (bateria).

O contrabaixista demorou três anos a concretizar o álbum, entre a escuta renovada dos temas de Carlos Paredes, o trabalho de apropriação e composição e o tempo de gravação, que foi adiado por causa da pandemia da covid-19 e só aconteceu em novembro passado, no Convento São Francisco, em Coimbra.

Esta cidade, onde o contrabaixista tem ligações familiares, e onde Carlos Paredes nasceu a 14 de fevereiro de 1925, está também impregnada no novo disco.

“É todo o universo da música portuguesa que me interessa particularmente. Há uma componente de Coimbra que só quem conhece bem a música de Coimbra e a cidade é que percebe um bocadinho que aquilo é tudo o mesmo universo, com manifestações diferentes. São as serenatas, o ambiente. Foi tentar fazer uma celebração da música que nos está no sangue”, disse.

O novo álbum conta com temas como “António Marinheiro”, “Serenata do Tejo” e “Mudar de Vida”, aos quais juntou “A morte saiu à rua”, de José Afonso, e “Verdes Anos”, a música que também incluiu em “Ao Paredes confesso”.

O título “Entre Paredes” já estava há muito tempo escolhido, mas “assenta como uma luva para a época” atual, de confinamento por causa da covid-19 e com a atividade cultural ao vivo praticamente paralisada, recordou Bernardo Moreira.

“Esta segunda [fase de confinamento] foi uma machadada que nós tínhamos esperança que não acontecesse. Achámos que era possível encontrar um equilíbrio que permitisse não cancelar os concertos e não parar outra vez. Estamos todos um bocadinho apreensivos e desiludidos”, disse.

Bernardo Moreira questiona ainda quando e como vai ser circular fora do país, e em que condições, quando a atividade cultural for retomada.

“Tinha o mês de março cheio de concertos, sobretudo fora, com a Cristina Branco com quem eu toco muito e a expectativa já é zero”, disse, a propósito de espetáculos Alemanha, na Suíça, no Lichtenstein ou nos Países Baixos.

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